September 8, 2018

Mobilização global ‘Una-se pelo clima’ realiza ações em mais de 90 países

 

Mobilização em Melbourne, Austrália (Foto: Julian Meehan).

América Latina – Neste sábado (08) a campanha ‘Una-se pelo clima’ (ou Rise for Climate, em inglês) mobilizou milhares de pessoas em todo o mundo. Foram realizadas mais de 900 ações em mais de 90 países, com o objetivo de colocar em pauta a urgência da crise climática. Comunidades vulneráveis de todo o mundo chamaram atenção para os impactos que suas vidas vêm sofrendo devido às mudanças climáticas. Os grupos também reivindicaram ações reais contra o uso de combustíveis fósseis, exigindo uma transição justa e imediata para uma matriz energética 100% renovável, livre justa e acessível para todos.

Ação na Antártida (Foto: Marco Buttu, ©PNRA/IPEV).

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de São Francisco, na Califórnia, na maior marcha climática já realizada na Costa Oeste norte-americana. Eles exigem do governador, Jerry Brown, e de outros políticos que participam da Cúpula Global de Ação Climática – marcada para 12 de setembro – o compromisso real com o fim da extração de combustíveis fósseis. Na América Latina e Caribe foram realizadas mais de 40 ações envolvendo ativistas, ambientalistas, estudantes, indígenas, pescadores e outros cidadãos, do Rio de Janeiro ao Mato Grosso, de Natal a Belém, de Bogotá a Buenos Aires, de Lima a Santiago e muito mais.

As demonstrações foram desde uma grande marcha em Nariño, Colômbia; uma mobilização nacional indígena em Asunción, no Paraguai; uma bicicletada com centenas de pessoas em Cumaná, na Venezuela; uma reunião internacional sobre os impactos do fracking em Mendoza, Argentina; além de exposições, exibição de filmes, grafite e projeções de artivismo em diversas capitais. Outras localidades foram Florianópolis e interior de São Paulo, no Brasil; Iquitos e Lima, no Peru; Salto, no Uruguai; Barranquilla e Cali, na Colômbia; Cochabamba e La Paz, na Bolívia; além de ações no Suriname, Haiti, Barbados e Jamaica.

As pautas locais vão desde os perigos da exploração de petróleo e gás para comunidades tradicionais e áreas protegidas, riscos do fracking para o Aquífero Guarani e as economias locais, e a proteção de defensores ambientais ameaçados em áreas rurais.

Sob o slogan ‘Por um mundo sem barragens e sem combustíveis fósseis’, cerca de 400 pessoas estiveram presentes na atividade em Ituango, Colômbia, contra a usina hidrelétrica de Hidroituango. Os ativistas foram surpreendidos pela polícia, que tentou impedir a manifestação bloqueando a entrada no canteiro de obras. Permanecendo firmes ao direito de liberdade de expressão e manifestação pacífica, os cidadãos tomaram as ruas da cidade, ocupando o espaço público.


Ao redor do mundo, os eventos incluíram:

  • Grupos no Reino Unido e na Alemanha exigindo maior adesão ao desinvestimento em combustíveis fósseis
  • Marchas e comícios nas principais cidades europeias, incluindo Copenhague, Paris e Kiev
  • Mulheres encabeçando marchas anti-carvão em países asiáticos, com uma das primeiras mobilizações virtuais a projetar hologramas em espaços públicos
  • Ações criativas na América Latina, nas ilhas do Pacífico e na África, com encontros que discutem o uso de energias livres e renováveis
  • Protestos no entorno das negociações climáticas da ONU, que acontecem em Bangkok, na Tailândia
  • Manifestações de ativistas contra órgãos estatais e bancos ao redor do mundo que apoiam e financiam a indústria dos combustíveis fósseis

A campanha Una-se pelo Clima mostra o crescimento da força e da diversidade do movimento climático, formado por pessoas que não vão ficar apenas esperando por medidas de governos, mas, sim, cobrar e dar o exemplo.

Marcha virtual em Manila, nas Filipinas (Foto: AC Dimatatac).

NOTA AOS EDITORES:

 

CONTATO:

Nathália Clark

Coordenadora de comunicaçao da 350.org América Latina

nathalia@350.org, +55 61 991371229

 

Citações:

“As mudanças climáticas são a questão definidora de nosso tempo. O movimento climático é fortalecido por seus movimentos-irmãos: aqueles em favor dos direitos humanos, da justiça econômica, da democracia e muito mais. A diversidade dessas mobilizações mostram como o movimento climático é global, reunindo comunidades que, juntas, batalham para aperfeiçoar direitos civis e dos indígenas, criando empregos e justiça, protegendo o meio ambiente e defendendo a democracia” – May Boeve, Diretora-executiva da 350.org.

“Dizemos sim à energia 100% livre e renovável no combate à crise climática” – Fadel Wade, ativista e líder comunitário (Bargny, Senegal).

“A Austrália já está sentindo os impactos das mudanças climáticas. Estamos enfrentando incêndios no inverno e sofrendo uma seca devastadora. Além disso, os cientistas temem que, no próximo verão, pela primeira vez na história, aconteça a primeira descoloração consecutiva de corais da Grande Barreira de Coral. Nosso país tem um potencial tão grande com a energia renovável, mas ainda exportamos mudanças climáticas para o resto do mundo na forma de carvão e gás. Os australianos desejam ações climáticas e hoje estamos nos unindo para exigir uma liderança verdadeira.” – Blair Palese, diretor da 350.org Austrália.

“Nos unimos pelo passado dos nossos ancestrais. Nos unimos pelo presente do nosso povo. Nos unimos por uma transição justa e imediata para um mundo livre de combustíveis fósseis.” – Isso Nihmei, Coordenador dos Guerreiros Climáticos do Pacífico em Vanuatu.

“O aquecimento global já está afetando nossos meios de vida nas províncias da fronteira sul da Tailândia.  Não podemos permitir que nenhuma nova usina de carvão seja construída. Estamos nos unindo para acabar com o uso do carvão e exigir fontes de energia renováveis e sustentáveis.” – Lamai Manakarn, ativista e representante em Pattani da Rede de Províncias da Fronteira Sul da Tailândia.

“Essa mobilização é a voz de Iquitos, no que diz respeito a algo que testemunhamos há muitos anos e do qual raramente participamos. Esse evento é a voz da Amazônia peruana para um futuro limpo e pacífico. Queremos cidades limpas, sem conflitos nem injustiças. Queremos políticas que promovam tecnologias limpas. Queremos uma mudança real que torne possível deixar para trás mais de 40 anos de exploração de petróleo em nossa região e seus impactos.” – Victoria Espinoza, engenheira de planejamento ambiental, ativista e coordenadora do evento “Una-se pelo clima” em Iquitos.

“A solução de justiça climática pela qual espero é uma que busque proteger todos os seres vivos, sem exceções.” – Danilo Moreira, Sindicato dos Trabalhadores de Call Centers, entidade que integra a campanha Climate Jobs em Portugal.

“Há mais de 100 milhões de mulheres na Indonésia. Estou me unindo às mulheres, iluminando o caminho que proteja nossa Terra sagrada.” – Hening Parlan, Coordenadora Nacional de Meio Ambiente da organização Aisyiyah, na Indonésia.

“Um dos objetivos do movimento Ríos Vivos Antioquia é transformar a política energética de minas da Colômbia, motivo pelo qual reconhecemos a importância de integrar a luta global pelo clima contra a pegada ecológica de um modo de vida insustentável que resulta na impossibilidade da vida no planeta. No dia 8 de setembro vamos participar da ação global pela transformação da matriz energética global. Exigimos que o petróleo permaneça no subsolo e que se encontre uma saída para a crise civilizatória que hoje afeta a humanidade.” – Isabel Cristina Zuleta, coordenadora da organização Ríos Vivos, representante das comunidades do cânion do rio Cauca, em Antioquia, na Colômbia.